Gargalo logístico e os desafios da cadeia produtiva
Sex, 04 de Maio de 2012 13:00
O cenário econômico positivo no Brasil que provocou o aumento do consumo interno e gerou novos negócios, principalmente dos últimos anos, se refletiu em avanços significativos na infraestrutura do País. Os desafios logísticos, pelo contrário, continuam a exigir do empresariado brasileiro soluções paliativas para não comprometer a saúde financeira de suas companhias.
O gargalo atinge empresas de vários segmentos, mas os setores de bebidas é um dos que mais gastaram com logística no ano passado, segundo a pesquisa Custos Logísticos 2011, do Instituto de Logística e Supply Chain. Enquanto a média geral de gastos foi de 8,5% em relação à receita líquida, o setor de bebidas gastou 12,1%.
As deficiências da infraestrutura logística brasileira permeiam todos os setores de transporte. Rodovias, portos e aeroportos sofrem com a falta de investimento, afetando a demanda e elevando os gastos. De acordo com o Banco Mundial, o custo da logística no Brasil equivale a 20% do PIB, o dobro dos países ricos.
O setor de transporte rodoviário, responsável por 76% da mercadoria que transita no País, atinge praticamente todos os pontos do território nacional, mas, por outro lado, é o que apresenta preços de frete mais elevados. Embora ofereça baixos custos fixos, os variáveis são mais altos, podendo ter alteração de acordo com questões que estão na esfera pública. Alguns dos exemplos são os valores do combustível e da manutenção das vias.
Com apenas 212 mil quilômetros de rodovias pavimentadas – enquanto a China e a Índia registram 1,5 milhão de quilômetros de estradas cada -, o Brasil possui um alto custo de conservação de sua frota. Afinal, a qualidade das estradas afeta diretamente o desempenho do caminhão e influencia no prazo da troca de peças, realizadas antes do previsto.
E os desafios não se restringem apenas à falta de aportes em infraestrutura. A carência de um planejamento urbanístico das grandes cidades também tem impactado o setor. As restrições do tráfego de caminhões nos principais centros urbanos do País têm forçado as empresas a buscar novas soluções. Especialmente para companhias, cujos clientes estão no coração dos municípios , seguir rotas e horários restritos de circulação de veículos exige uma grande ginástica logística. A compra de caminhões comerciais leves ou alteração do horário de trabalho são algumas das alternativas, porém implica no pagamento de adicionais noturnos aos empregados e no aumento das equipes de segurança, além do custo do período em que o veículo fica parado.
Apesar dos investimentos previstos pelo governo, as expectativas para o futuro não são tão animadoras. A escassez de fortíssimas altas no custo de mão de obra e os gargalos de infraestrutura serão somados aos aumentos de custos provocados pelo preço do óleo diesel, pedágio, caminhões e do salário dos motoristas e ajudantes. Com este cenário, o grande prejudicado será o Brasil, que perde competitividade frente aos países do mundo e encarece seus produtos com os altos valores logísticos embutidos.
Fonte: Logística Descomplicada
Setor portuário brasileiro acende o sinal amarelo
Qui, 12 de Abril de 2012 13:17
É pelo setor portuário que cerca de 90% da carga que sai ou chega ao Brasil passa. Nos últimos anos, com o crescimento da economia dos países chamados de Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) houve um forte aumento do tráfego de produtos no comércio no hemisfério sul e os portos brasileiros viveram um verdadeiro boom de demanda por serviços de transporte marítimo. Tanto que hoje há problemas de infraestrutura, armazenamento e de qualificação de mão de obra, que está levando o País a uma verdadeira Caça aos profissionais que trabalham tanto em terra quanto no mar.
A armadora Aliança, pertencente ao Grupo Hamburg Süd deve estrear em águas brasileiras uma nova embarcação, é o Santa Max, com 9 mil TEU de capacidade. De acordo com o representante da empresa, Gustavo Costa, somente alguns portos podem receber esse navio que tem cerca de 300 metros de comprimento. “A falta de infraestrutura dos portos nacionais impede essa embarcação de atender a Região Nordeste, não há capacidade de receber um navio desse tamanho por lá porque não houve investimentos em expansão”, relatou.
O professor doutor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Rui Carlos Botter, que é especialista em logística e transporte, disse durante evento na Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), em São Paulo, que o País conta com cerca de 20 portos com infraestrutura que classificou como razoável. “Em 1983 estive no Japão e naquela época aquele país que é uma pequena parte do que temos no Brasil, já contava com mais de 700 pontos de atracagem, desses 60 já tinham o tamanho que tem o de Santos, que é maior que temos por aqui”, comparou.
Segundo o Botter, um dos maiores problemas que o Brasil enfrenta é o das filas para ancorar. Essa fase do ciclo de carga ou descarga é o responsável por pelo menos metade do tempo de uma embarcação que chega ao País. Isso gera custos e derruba a produtividade desse modal, que é um dos pilares para a competitividade de indústrias como a da mineração. Companhias como a Vale e até mesmo a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) buscam soluções com a FDTE para melhorar a performance nessa questão. A primeira em diversos pontos do planeta e a CSN no porto de Sepetiba para agilizar o escoamento da produção de minério de ferro, que segundo a empresa, deverá elevar os resultados da companhia nos próximos anos.
Costa lembra que para um navio maior atracar no Brasil é preciso de um grande trabalho de sincronização para alcançar a janela de disponibilidade e reduzir ao máximo o tempo de parada de um navio. Além disso, o terminal onde há a parada deve garantir a estrutura de equipamentos para descarregamento da embarcação e envolve uma dragagem para aumentar o calado, novos trilhos para suportar os berços, entre outros aspectos.
Porém, outro problema que inviabiliza a entrada nos portos brasileiros é a questão humana. “Há uma carência muito grande de mão de obra especializada. Hoje, os salários estão inflacionados de forma que um oficial pode trabalhar um mês comigo, troca por um outro concorrente para receber um salário muito mais alto e no mês seguinte recebe uma proposta para receber o dobro”, descreveu Costa. “Nos últimos cinco anos os salários dobraram para o pessoal embarcado”, completou ele indignado. Segundo seu relato a tripulação brasileira hoje é a mais cara do mundo, custa até 20% a mais que a alemã, antiga detentora dessa posição, mas mesmo assim, falta pessoal.
Para tentar amenizar esse problema, a FDTE promoveu um encontro para lançar ao mercado novos cursos de especialização com um programa de qualificação dos profissionais que atuam na gestão logística portuária e na gestão do transporte marítimo e fluvial. As turmas iniciam as aulas em maio em dois cursos: Gestão Portuária e Gestão do Transporte Marítimo e Fluvial. A entidade indica que esses cursos são voltados aos profissionais graduados e atuantes na área de Logística. Os cursos têm como proposta apresentar e discutir as principais características, atividades e demandas do sistema portuário e a interface com outros modais de transporte.
Ademais, segundo se especula no mercado, a proximidade do início das operações dos empreendimentos da LLX, o Superporto do Açú e do Sudeste tem causado apreensão entre os operadores do setor. Com a falta atual de trabalhadores especializados a tendência é de que o problema fique mais latente com esses dois novos projetos. E de acordo com uma fonte do mercado, há um mote que todos estão indo rumo ao sol, em uma analogia ao logotipo das empresas de Eike Batista e a imagem que é utilizada em sua identidade visual.
“Com projetos daquela envergadura a empresa não vai esperar seis meses até começar a formar sua mão de obra, vai é correr atrás dos mais experientes, fato que deve elevar novamente os salários dos trabalhadores especializados”, analisou a fonte.
Fonte: Transporta Brasil
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Portos de Santa Catarina se manifestam contra decisão da nova alíquota do ICMS
Qui, 19 de Abril de 2012 18:41
A votação da unificação em 4% das alíquotas interestaduais do ICMS sobre importados iria à votação nesta quarta-feira (18) no Senado Federal, mas foi transferida para semana que vem. O projeto foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) ontem (17) e encaminhado em regime de urgência ao plenário.
Na avaliação da Fecomércio, os prejuízos com a unificação do ICMS serão visíveis. Para Santa Catarina, que é um dos estados que se beneficiaram fortemente pelo incentivo à importação, a perda iminente não será apenas orçamentária. Estarão ameaçados também o número importante de empresas instaladas no estado incentivadas pela política fiscal e o desenvolvimento das regiões portuárias de Itajaí, São Francisco do Sul, Navegantes e Imbituba.
Santa Catarina será um dos estados mais afetados pela mudança, ao lado de Goiás e Espírito Santo. De acordo com estimativas da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina, o estado deve sofrer um corte abrupto de cerca de R$ 1 bilhão nas receitas advindas das operações de importação além da diminuição de 50% das importações feitas pelos portos catarinenses.
Mobilizados em favor da manutenção dos empregos nos portos catarinenses e pela continuidade dos incentivos fiscais oferecidos aos importadores que optam pelos portos e terminais catarinenses para receber suas cargas, centenas de pessoas estiveram reunidas no início da semana em frente ao Porto de Itajaí. A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santa Catarina e teve a participação de representantes de todas as classes ligadas direta e indiretamente à atividade portuária.
Porto de Imbituba
Jeziel Pamato, Administrador do Porto de Imbituba, afirma que somente após a aprovação poderemos saber quais empresas irão mudar sua logística de transporte. “A unificação do ICMS colocará o Porto de Imbituba, assim como todos os portos de Santa Catarina, em desvantagem competitiva em relação aos outros portos brasileiros. As empresas deram preferência a Imbituba, justamente pelas boas condições operacionais e menores custos, mesmo tendo que suportar custos maiores no transporte rodoviário. Agora, com a alíquota única, há a possibilidade de estas importações passarem a serem feitas mais próximas da origem/destino”, explica.
O Porto pode sofrer uma redução de aproximadamente 15% na movimentação total de cargas, em virtude da medida que atinge principalmente cargas como fertilizantes e grãos, entre trigo, cevada e outros. O Porto de Imbituba, importante alternativa logística do Sul do Brasil, sofrerá com a aprovação da Resolução 72, que unifica o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para produtos importados no país.
Fonte: Portal da Ilha
Publicado em 18/04/2012 às 17:45:06
Deficiências logísticas matam a competitividade da avicultura de SC
Seg, 05 de Março de 2012 18:05
Santa Catarina é o segundo maior Estado produtor de aves do Brasil e o maior exportador. A receita com as vendas externas supera 1 bilhão de dólares. O abate anual é de aproximadamente 700 milhões de aves. O Estado reúne 13.000 avicultores, dos quais 10 mil são integrados às agroindústrias. O setor emprega diretamente 40 mil pessoas e, indiretamente, mais 80 mil. As deficiências logísticas estão afetando o desempenho dessa cadeia produtiva, assegura o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), Clever Pirola Ávila. Confira a entrevista.
O porto de Itajaí concentra boa parte das exportações de aves congeladas, mas pode atingir seu limite e obstaculizar a expansão das vendas externas. Qual seria a solução?
Clever Pirola Ávila -- Certamente existem alternativas em outros portos brasileiros, entretanto com custos logísticos adicionais são importantes. A Associação Catarinense de Avicultura já preparou seu Plano Estratégico 2050 e manteve debates com o Governo do Estado de Santa Catarina, inclusive com o Governador João Raimundo Colombo. Esse planejamento inclui ações público-privadas de infraestrutura para portos, rodovias e ferrovias.
O principal porto marítimo do Estado não tem conexão ferroviária. A indústria avícola catarinense faria investimento em infraestrutura de transporte?
Ávila -- Em nosso planejamento estratégico as ferrovias são um fator fundamental de competitividade e certamente ajudariam a manter no Estado de Santa Catarina as maiores agroindústrias brasileiras. A busca de multimodais de transporte flexibiliza a logística com novas alternativas, além da redução de custos. Temos basicamente duas linhas vitais de concepção das ferrovias: a primeira para a importação de grãos (soja, farelo de soja e milho) de outros Estados e países vizinhos; a segunda, para escoamento da produção de proteína animal catarinense para os mercados de consumo e portos. O formato de construção das ferrovias deve ser, ao nosso ver, através de parcerias público-privadas e acordadas num ambiente político suprapartidario e de longo prazo para termos a certeza da execução dos projetos, com início, meio e fim concretizados.
De que forma a avicultura barriga-verde administra o abastecimento de milho e os custos de produção nas granjas?
Ávila -- Pagando o preço de mercado acrescidos de um custo logístico de importação do insumo do Paraná, centro-oeste e de outros países, como o Paraguai. Estamos importando aproximadamente 3 milhões de toneladas anuais, que impactam diretamente em nossos custos. Somente o custo logístico está no patamar de dez reais a saca, o que deixa Santa Catarina menos competitivo. Além disso, o Estado não possui os mesmos benefícios do Governo Federal que são dados as outros Estados do nordeste que não produzem milho. Precisamos acordar para esta realidade e tomar providências em conjunto agroindústrias e governo, pois neste momento só temos uma certeza -- a migração da agroindústria para Estados produtores de grãos.
A indústria avícola catarinense planeja implementar recursos de energias renováveis nas explorações agrícolas e fábricas?
Ávila -- A produção da bioenergia já é uma realidade brasileira. Temos vários projetos de biogás implantados na cadeia produtiva, o que aumentará de forma exponencial nos próximos anos. Tecnologias Européia, dos Estados Unidos e da Nova Zelândia estão acessíveis para este papel. O conceito dos projetos, além de produzir energia elétrica, ajuda a reduzir emissões de gás do efeito estufa.
FONTE: MB Comunicação
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